"Onde mora o esquecimento"

Onde habita o esquecimento

"Onde mora o esquecimento" é uma obra de Luis cernuda cujo título é retirado de um verso de Bécquer e que por sua vez dá nome a uma canção do cantor e compositor espanhol Joaquín Sabina. O esquecimento, obviamente que produz dor pelo fim de um amor, é o eixo em torno do qual gira toda a coleção de poemas. É uma espécie de morte, um apagamento de memórias que leva o poeta a se sentir frustrado com o que restou do que antes era um sentimento belo.

Esta é a parte negativa do Amor, da conseqüência, do que resta quando deixa de existir, e de certa forma é a que qualquer ser amante está exposto, já que nada é para sempre e o fim da fase do amor inevitavelmente cederá ao esquecimento que trará sentimentos negativos em oposição à positividade do estágio anterior em que alegria e bem-estar eram os pilares básicos.

Como a oposição entre amor e desgostoEntre memória e esquecimento, entre alegria e frustração, outra antítese aparece na obra, que é a entre anjo e demônio, que aparecem como vozes poéticas sussurrando ao leitor.

Esta obra é a mais reconhecida por Luis Cernuda que, embora não tenha alcançado uma boa crítica nas suas primeiras colecções de poemas, recebeu todos os elogios com a publicação do livro de que estamos a tratar agora.

Onde mora o esquecimento, o livro

Livro de Luis Cernuda Onde o esquecimento habita foi publicado em 1934, apesar de os poemas que contém terem sido escritos entre 1932 e 1933. Entre eles, um dos mais conhecidos é sem dúvida aquele que dá nome ao título.

Esta coleção de poemas pertence à fase jovem do autor, quando sofreu uma decepção amorosa e a razão pela qual escreve sobre o amor como se fosse algo ruim ou com sentimentos amargos em relação a ele.

Além disso, sabe-se que o título que deu ao poema, assim como à sua coleção de poemas, não foi propriamente sua invenção, mas sim que se dirigiu a outro autor, Gustavo Adolfo Bécquer, que em Rima LXVI, em seu décimo quinto verso diz "onde habita o esquecimento".

O livro é composto por vários poemas, mas praticamente todos com sentimentos negativos e pessimistas sobre o amor e a vida. Apesar de os primeiros trabalhos de Luis Cernuda terem recebido muitas críticas, ele continuou tentando e evoluindo, algo que conquistou anos depois.

Análise de onde mora o esquecimento

Dentro da coleção de poemas, aquele que leva o mesmo nome do livro é o mais conhecido de todos, e também aquele que condensa todos os temas de que o autor trata nesta obra. Por isso, a leitura pode dar uma ideia do momento que ele estava passando e por que todos os outros poemas beiram o pessimismo, a solidão, a tristeza, etc.

Onde mora o esquecimento 22 versos que são divididos em 6 estrofes. No entanto, a métrica não é realmente a mesma em todos os versos, mas há irregularidades e alguns versos são muito mais longos do que outros.

Nem as estrofes são todas iguais em número de versos. O primeiro consiste em 5 versos, enquanto o segundo é 3; o terceiro de 4 ... deixando o último com apenas 2. O que ele usa muito bem são diferentes figuras de linguagem, como:

  • Personificação. Atribuir uma qualidade, ação ou algo humano a um objeto ou ideia.

  • Imagem. É uma figura retórica que busca descrever uma coisa real em palavras.

  • Anáfora. Trata-se de repetir uma palavra, ou várias, tanto no início do versículo quanto em uma frase.

  • Símile. Compare duas palavras que têm uma qualidade comum entre elas.

  • Antítese. Refere-se a expor a oposição de uma ideia que geralmente também se reflete no poema.

  • Símbolo. É usado para substituir uma palavra por outra.

A estrutura do poema segue um padrão circular, pois começa com uma ideia que tece até o fim. Na verdade, uma vez que você olhe para o poema, você verá que ele começa com a mesma coisa que termina, (onde vive o esquecimento), estabelecendo três partes diferentes dentro dele.

Parte 1 do poema

Nele, os versos 1 a 8, as duas primeiras estrofes, seriam condensados. O tópico abordado nestes é sobre o morte de amor, uma morte espiritual, mas devido ao seu desapontamento no amor, o autor não confia mais nesse sentimento.

Parte 2 de Onde o esquecimento mora

Nesta parte seriam incluídos os versos 9 a 15, ou seja, as estrofes 3 e 4. Talvez seja mais pessimista nesta parte do poema, uma vez que seu desejo é pare de acreditar no amor, tente por todos os meios pensar sobre esse sentimento e romper com tudo o que havia pensado sobre o amor.

Parte 3

Por fim, a terceira parte do poema, dos versos 16 a 22 (estrofes 5 e 6) fala de querer se livrar do sentimento de amor, de não querendo experimentar de novo e que só fica como uma memória na memória, para se livrar daquela sensação de querer estar ao lado de uma pessoa.

O que significa o poema de Onde habita o esquecimento?

Onde habita o esquecimento tornou-se para Luis Cernuda uma forma de expressar a dor que sentia pela decepção amorosa que havia vivido. Na verdade, para ele, significava não querer se apaixonar novamente, não acreditar no amor de novo e querer esquecer tudo o que havia acontecido.

Todos esses sentimentos são condensados ​​pelo autor neste poema, embora o livro tenha muitos mais. No entanto, talvez seja a que mais enfatiza, por falar da existência do amor, mas também do sofrimento que advém de se deixar levar por ele. Por isso, quando as coisas não acontecem como deveriam ter idealizado, o que ele quer é desaparecer, morrer, porque mesmo que aquele anjo a quem ele pode se referir como "Cupido" tenha cravado uma flecha de amor, ele tem não fez o mesmo na outra pessoa.

Assim, o autor tenta se refugiar no esquecimento para cessar os pensamentos negativos e deixar de sentir dor e desespero pela lembrança daqueles momentos que você viveu.

Contextualização do poema

Luis cernuda

Luis Cernuda nasceu em 1902 em Sevilha. Foi um dos melhores poetas da Geração de 27, mas também sofreu muito, fazendo de sua poesia um reflexo dos sentimentos que vivenciou em sua vida.

A primeira experiência que teve com a literatura foi através de seu grande amigo Pedro Salinas, quando cursava Direito na Universidade de Sevilha (1919). Nessa época, ele passou a conhecer outros autores além de escrever seu primeiro livro.

Em 1928 ele viajou para trabalhar em Toulouse. Ficará cerca de um ano, já que em 1929 começa a viver e a trabalhar em Madrid. Sabe-se que trabalhou na livraria León Sánchez Cuesta desde 1930, além de conviver com outros autores como Federico García Lorca ou Vicente Aleixandre. Foi nessas reuniões com autores que Lorca o apresentou a Serafín Fernández Ferro em 1931, um jovem ator que roubou o coração do poeta. O problema é que ele só queria o dinheiro de Cernuda e, como não se sentia retribuído, foi o momento em que inspirou o poema Onde habita o esquecimento (junto com os demais poemas que fazem parte da coleção de poemas com o mesmo nome). Nessa altura tinha 29 anos, embora os poemas se enquadrem na sua fase juvenil.

Na verdade, ele teve que marcá-lo muito, pois não se sabe que ele tinha outro amor além desse, então é provável que tenha cumprido o que escreveu no poema Onde o esquecimento habita, afastando-se do amor e focando no outros sentimentos.


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