falamos de Histórias de ciência com seu autor, Fernando del Álamo

Fernando del Alamo Ele responde às perguntas desta entrevista com a mesma concisão (e vontade explicativa) com que enfrenta a tarefa de escrever suas entradas de blog. Histórias de ciência é um dos principais sites para fãs de curiosidades, biografias e anedotas relacionadas ao campo científico. A partir dos textos lá coletados ao longo do tempo, o livro autointitulado, publicado pelo próprio.

O tempo que se passou desde então é mais do que suficiente para que o autor fale com perspetiva suficiente sobre a editoração eletrónica, e também sobre a relação dos blogues com o livro impresso, as motivações pessoais que o levam a realizar o seu trabalho ou os motivos que o levam a por que alguém da ciência decide ir para a disseminação.

O que o levou a começar a escrever sobre ciência?

É um assunto que sempre me fascinou. Quando jovem, adorava conversar sobre esses assuntos com os amigos. Alguns riram dizendo que gostava de coisas estranhas, mas houve outros que fizeram mais perguntas. O blog nada mais é do que um reflexo dessa paixão: falar sobre um assunto que sempre gostei de falar.

Eu não conseguiria escrever sobre outro assunto.

laboratório

Foto de Eduardo Izquierdo.

É sabido que nem sempre é fácil manter a consistência nos blogs. É por isso que vale a pena falar sobre motivações. Desde a primeira entrada há muito tempo. Você continua escrevendo pelos mesmos motivos de quando começou?

Quando comecei a fazer o blog, só queria ter um lugar para anotar curiosidades sobre a ciência e seus personagens ou que tivessem me chamado a atenção, seja pela ironia, pelo conteúdo, ou porque pudessem nos ensinar a ver como essas pessoas agiu e sua força de seu caráter.

O blog me deu a oportunidade não apenas de fazer isso, mas de ler comentários de muitos leitores. Conheci pessoas que tinham preocupações muito semelhantes às minhas e crianças que me escreviam e-mails dizendo que iam se dedicar ao estudo de ciências porque meu blog havia acabado de convencê-los. Descobri que isso motivou as pessoas a buscarem mais informações por conta própria. Ele poderia influenciar as pessoas e tornar a ciência parte de sua vida. É algo que me enche de orgulho e satisfação.

Mas também conheci pessoas que realmente acreditam que a Terra tem 6000 anos ou que afirmam sutilezas como "A Teoria da Evolução é apenas uma Teoria" ou "Não está provada".

Isso me fez ver que minha tarefa não é apenas compartilhar meu gosto pela ciência, mas divulgá-lo da melhor maneira possível. Tenho que fazer com que essas pessoas vejam que estão erradas ou, pelo menos, que se não acreditam que estão, é porque assim deduziram, não porque outros lhes disseram.

Não quero que as pessoas acreditem para o bem no que ouvem ou lêem. Nem mesmo o que eu digo a eles. Eu quero que eles leiam, aprendam, se familiarizem com a ciência, conheçam seus personagens, como eles agiram e suas motivações e preocupações, suas discussões e debates, sua raiva, etc. E uma vez que eles tenham todas essas informações na ponta dos dedos e estejam imersos em tudo isso; em seguida, forme sua própria opinião.

Então, hoje faço o mesmo de quando comecei, mas por motivos diferentes.

Você se considera um contador de histórias ou um divulgador? Embora possam não ser termos incompatíveis ...

Divulgador. Não pretendo explicar o que aconteceu, sem mais; mas para tirar algum benefício ou idéia disso e aproveitar a circunstância para poder explicar qualquer curiosidade da ciência ou do comportamento humano dos homens de ciência.

De acordo com o prefácio de seu livro Histórias de ciênciaExplicar ciência é como estar apaixonado: "você quer explicar a todos" (para citar Carl Sagan). ¿Histórias de Ciência é um livro acessível a todos? A ciência pode ser explicada sem fórmulas ou expressões complicadas?

Pelo menos o livro segue com essa intenção. Afirma que pode ser lido tanto por uma pessoa com pouco treinamento quanto por um graduado.

Acredito que a ciência pode ser explicada em uma linguagem acessível a todos. Acontece que, para chegar a algumas conclusões a que a ciência chegou, é preciso fazer um raciocínio muito complexo. Esse raciocínio deve ser deixado para os especialistas. Mas todos nós podemos entender as consequências em linhas gerais, mesmo se não conhecermos os detalhes.

Por outro lado, você também deve colocar algumas fórmulas. Não acho que colocar qualquer fórmula seja ruim por definição. O problema é que essas fórmulas têm sentido, sentido e consequências, e muitos não o explicam com a devida clareza. Você tem que chegar a um meio-termo onde tudo tem sua contribuição.

E a ciência? Quem pode explicar a ciência? Confesso que pergunto com o intuito não de alimentar o tema, mas ao contrário, de saber em primeira mão a opinião de alguém em cujo trabalho esses dois blocos de conhecimento se cruzam: é ou de cartasum de Ciências?

Não acho que haja uma contradição entre ciência e letras. O que existe é uma certa fobia de quem está de um lado em relação às questões do outro lado e que a fobia da ciência é mais aceita socialmente do que a fobia de letras. O que é necessário são bons disseminadores de um lado e do outro. Conheci maus professores tanto de matemática e física quanto de história e línguas.

É necessário que as pessoas expliquem as coisas sem rodeios e se coloquem no lugar do ouvinte.

A tendência de pular de um blog para um livro parece estar ganhando seguidores, mesmo entre escritores estabelecidos. Recentemente, soube-se que um compêndio de entradas do blog Saramago será colocado à venda no papel. Nesse sentido, cabe perguntar: Os blogs impõem um registro, um estilo, uma forma de escrever? Eles são substitutos do livro impresso? Como um autor lida com a transição do blog para o livro?

É preciso reconhecer que um blog é um estilo diferente do livro usual. Você não pode escrever um romance em um blog, a menos que seja em pequenos capítulos, mas qualquer blog pode ser um livro mais cedo ou mais tarde. Acredito que um blog nunca substituirá um livro impresso. Pelo menos, contanto que os computadores não sejam do tamanho de um livro.

Em relação a como vem a passagem do blog ao livro, penso que é o passo natural para todos aqueles que escrevem um blog cujo tema central não seja opinião ou atualidade. Artigos em um blog de ciência, história ou curiosidade não são uma moda passageira; Quer dizer, eles não têm data de validade.

Por outro lado, autores famosos como Saramago, que escrevem um blog, não têm problemas em editar livros. O que quer que escrevam, quase certamente serão bem-sucedidos. Pelo menos vendas.

Na verdade, os escritores estabelecidos têm muitas facilidades com respeito aos iniciantes, também para publicar. Seu livro é publicado pelo próprio. O que o levou a essa escolha?

Não ter que concordar com ninguém, não ter que procurar outra pessoa para julgar o que escrevi. Fiz um livro e queria que o leitor o visse assim, sem filtros ou alterações.

O seu livro é ISBN? É algo muito problemático em relação à editoração eletrônica?

Sim, o livro possui um ISBN. É gratuito, embora não esteja impresso no próprio livro (ganhei o ISBN depois de publicado). No entanto, eu também não tive problemas enquanto não o fazia. A única coisa errada com a editoração eletrônica é que ela não é vendida em livrarias.

Você já pensou em um segundo livro? Você também optaria pela editoração eletrônica?

Sim, um segundo livro está sendo feito e com certeza também optarei pela editoração eletrônica. Acho que as editoras não estão interessadas em publicar cultura, mas livros que vendem muito para obter mais benefícios, melhor.

Muito obrigado Fernando.

Foi um prazer.

Histórias de ciência pode ser comprar a um preço de 15,71 euros na livraria virtual Lulu. Há mais informações em uma postagem de blog com o mesmo nome.


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